De quando você surgiu

•11 de julho de 2011 • Deixe um comentário

“Quando tá escuro e ninguém te ouve, quando chega a noite e você pode chorar, há uma luz no túnel, dos desesperados, há um cais de porto pra quem precisa chegar”

Sabe quando você tem amigos incríveis que te suportam e aliviam suas dores? Sabe quando normalmente é você quem cuida deles, mas, surpreendentemente, quando você menos espera e mais precisa eles te pegam no colo e deixam você chorar, quando você nem sabia que precisava tanto. Então, eu tenho amigos assim. Uns começam com A de Alfie; outros com B de Brunas, de Bella; uns com C de Cecília, de Coruja; uns com D de Didi; outros com E de estagiária e Érica; uns com F de Frederico;  uns com L de Laís e Lívia, de Lisandro; uns com M de Maria, de Marina, de Jobs, de Fernanda; uns com N de Nathy; outros com P de Pachá; uns com R de Rafa (el e ela) e outros com T de Tati Guedes.

É, agradecer a eles todos é apenas mais um dos meus clichês diários em orações, mas com você é diferente. Porque quando eu precisava falar mais e mais da minha dor e só dela e sofrer só ela e eles me ouviam, você trouxe, literalmente, um novo tópico de e-mail. Você trouxe a alegria que me tirou do precipício que eu mesma estava atirando as minhas esperanças. Você foi quem me fez acreditar de novo na beleza escondida das coisas.

Agradecer a você, eu prefiro olho no olho, mas já que tinha tempo que eu não usava esse blog e você me despertou outra vez a vontade de escrever, nada mais justo que dedicar a você – esse meu espelho distorcido com sabor de infinito – esse novo “primeiro” post. Porque no sentido de RENASCER é exatamente isso que eu sinto e compartilho. Porque deixar de acreditar é muito, muito ruim, contudo, voltar a crer com fé é divino, celestial.

Quando a gente fica triste, não essa tristeza desesperada ou cheia de angústia, não. Triste eu digo dessa tristeza real que eu acho que senti poucas vezes na vida. Tristeza que não te paraliza, mas tira a graça das coisas, do mundo. Tristeza que não escurece, mas deixa tudo pálido, cinza. Quando a gente fica assim, entregue ao muro de concreto crescendo no peito sem secar e se surpreende com pinguinhos de felicidade contida que logo se transbordam num Oceano capaz de te levar pra Miami num pulo só, a gente tem que agradecer.

Agradecer que nem a gente fez naquele sábado, bebendo água, olhando bem fundo e respirando leve. Aquele sábado está tão perto, mas, como disse a Ju, parece tão longe. É divertido olhar o meu sorriso quando eu penso em você. É divertido esperar pelas risadas do fim de semana. É divertido me pegar com 15 anos outra vez, apesar dos 50 que às vezes carrego nos ombros. É divertido cortar bambu e colar cartaz. É divertido acordar com vontade de escrever e dormir com vontade de sonhar. É divertido passear no zoológico e jogar bola na grama. É divertido precisar literalmente de um degrau.

Achei a palavra! Degrau, aquilo que te leva pra cima, pro alto. Aquilo que torna a subida mais possível. Renascer. Do verbo voltar à vida. Do verbo nova oportunidade pra evoluir. Do verbo cada um tem um passado e o combinado é o respeito a tudo lá que tem de bom ou de triste. Renascer do verbo quero uma nova vida. Renascer do verbo tempo e perigo são dois conceitos muito relativos. Renascer do verbo eles nunca vão entender. Renascer do verbo não desejamos mal a quase ninguém. Renascer do verbo ir à luta. Renascer do verbo o nosso tempo é nosso, e é agora. Doa a quem doer. Renascer do significado do nome: Renata.

Das músicas que eu adoro

•22 de setembro de 2010 • 2 Comentários

Falar de música pra mim é sempre um assunto sem fim. Eu não tenho muito esse papo de música boa ou ruim, porque costumo respeitar as pessoas com bons argumentos.

Quando penso em música, gosto de pensar no momento que me leva a gostar dela. Eu NUNCA ficaria em casa ouvindo MC Sapão, mas se a gente estivesse na maior empolgação pra ir, entre amigos queridos, passar o Ano Novo no Joquei eu ia ser a primeira a colocar o funkeiro pra GRITAR no som da casa da Bruninha.

Então vou tentar fazer aqui o meu TOP 10 eterno. Se eu não chegar lá, perdoem, se eu passar um pouco, também.

Estrela do Mar - (Marino Pinto / Paulo Soledade – gravada pela Dalva de Oliveira)

 Acredito que essa sempre será uma das minhas músicas favoritas. Não me lembro muito bem se a minha mãe me contava histórias pra dormir, mas ela cantava. E cantava bem. E sempre que eu quero ter um motivo forte pra ficar com lágrimas nos olhos, só porque eu tô com vontade de chorar e ponto, começo a cantarolar essa música. E lembro da minha mãe cantando pra mim a história do grão de areia que se apaixona pela estrela-do-mar.

Sereia - (Lulu Santos) 

Essa música é sempre a que eu penso em responder quando me perguntam a minha música preferida. Por um motivo engraçado e especial. Uma vez, numa festa de um amigo dos meus pais, eu devia ter uns 9 anos e escutei essa música pela primeira vez na companhia de duas amiguinhas que havia acabado de conhecer. Ana Catharina e Ana Letícia, que nunca chegaram a ser tão minhas amigas como naquele dia que a gente se completava, mas que nunca deixaram de despertar um sorriso (mesmo que interno) quando as vejo exatamente por me lembrarem esse dia, que a gente decidiu juntas, olhando no encarte do CD com os ursinhos na capa, que Sereia seria a nossa música favorita pra sempre. Acho que foi aí que eu decidi que não faria nunca na vida promessas vãs. E cumpri. Aí está.

Lola (Chico Buarque)

Porque é linda essa música e é muito difícil escolher uma só música do Chico, mas essa é uma delícia. Consigo ouvir 20 vezes direto e não enjoar e querer ouvir de novo. E pouca gente conhece, então eu saio do lugar comum.

Quem te viu, quem te vê (Chico Buarque)

Pra poder ter o direito de cair no clichê e escolher mais de uma música do Chico. É quase impossível não escolher todas. E Carolina não é a minha preferida, como de quase todo mundo. E eu não gosto de Renata Maria, mesmo que tenha meu nome numa canção do Chico. E eu já gostava de Beatriz e Retrato em branco e preto antes da Ana Carolina cantar. Mas escolhi esse segundo título porque me lembra um carnaval incrível na companhia da Tati Guedes e do Emo, que vai ficar pra sempre como O carnaval!

No one’s better sake (Fabrizio Moretti / Rodrigo Amarante – Little Joy)

Porque eu gosto de aprender com gente que admiro e a música é uma das coisas que mais imortaliza as pessoas pra mim. Little Joy aprendi assim, dica de um amigo e virou paixão. Escolhi essa música por causa de uma frase: “What are we waiting for?”

Meus Heróis (Julinho Marassi e Gutemberg)

Sempre gostei da dupla, sempre achei os caras bons no que fazem, mas cantar essa música num avião pra Buenos Aires e descobrir que vai fazer mais uma promessa de música favorita foi bom demais. Os meninos da Apaloosa merecem estar aqui. Essa música merece estar aqui. E tudo que vem com ela e com as lembranças de Buenos Aires merece, áh se merece estar aqui.

Quanto ao tempo (Carlinhos Brown e Ivete Sangalo)

Um, porque a Ivete tinha que estar aqui de uma forma ou de outra e dois, porque essa música me desperta uma coisa tão bonita que eu nem sei descrever. Vale muito a pena ouvir.

Dezesseis (Legião Urbana)

Também é muito difícil escolher uma única música da Legião. Poderia dizer que quase todas estão na minha topten list. Dezesseis marcou uma época. João Roberto era o maioral. Me lembra toda minha pré-adolescência e adolescência propriamente dita e de quando a banda dos garotos mais velhos era a maior sensação. Saudades da PMPO em sua formação original que fazia a gente se matar de tanto gritar pra eles tocarem mais uma! =)

Antología (Shakira)

A melhor explicação que eu posso dar para minha adoração por essa música está nela mesma:

“Y descubrí lo que significa una rosa
Me enseñaste a decir mentiras piadosas
Para poder verte a horas no adecuadas
Y a reemplazar palabras por miradas”

Your body is a wonderland (John Mayer)

OUVE!

Bem, então é claro que a lista está influenciada pelos astros, pela Lua que ontem estava cheia e hoje está crescente. É claro que tem mais um milhão de músicas que eu posso chamar de minhas prediletas, mas agora não tô lembrando e já mexi um outro milhão de vezes nesse rascunho e se eu não postá-lo agora, acho que nunca mais faço isso. =)

De quando você tinha que estar lá

•8 de setembro de 2010 • 2 Comentários

Sexta-feira, 03/09 e o feriado chegando. Pânico! Um feriado que tem nos dias o dia do sexo e eu, já sabidamente, sem o meu amor.

Oqueéqueeuvoufazer – pelamordeDeus!

Aí surge a amiga Tati Guedes com uma peça que se bobear a gente tem que estudar o nome para decorar: Estragaram todos os meus sonhos, seus cães miseráveis. Eu pesquisei pra saber o que era? Não. Eu quis saber quem dirigia? Não. Eu quis saber quem atuava? Também não. Eu confiei no bom gosto da minha amiga que você, se não tem o prazer de conhecê-la pessoalmente, pode conferir aqui.

precisa de legenda, wordpress?

Chegando ao local da peça, já no domingo chuvoso – depois do sábado na praia bem aproveitado com a Bruninha, amiga dessas de infância que eu tentei arrastar pro teatro e não consegui (mas depois da peça consegui convencê-la a ir comigo outra vez essa semana) – eis que vejo Camila Morgado, Regiane Alves, uns atores que, perdão não sei o nome, mas já foram de Malhação e a grande Stella Miranda. Aí entendi porque é que sempre que vou ao teatro fico com a sensação de que nunca devia ter parado. Ai ai, como gosto dessa atmosfera de arte no palco.

Nesse ponto do meu pensamento me veio à lembrança a Tia Fatinha, tia que roubei de um ex namorado querido e que sempre me diz o quanto eu devia resgatar os anos estudados e voltar a essa vida de cochias. Enfim, não sou profissional e nem nunca cheguei perto, mas deu uma saudade do que nunca tive sabe, nostalgia das mais legítimas! Gostinho doce amargo.

Fui, de cabeça, pra segunda fila, porque eu, ao contrário da Tati, adoro interações com a platéia. Queria ter ido pra primeira, mas em respeito à amiga que me deu a dica e me convidou a ir com ela ao teatro, me contentei com a segunda fila. Não, os atores não chamaram o público a participar da peça, mas confesso que nunca fui a uma peça em que a interação comigo tenha sido tão, mas tão valiosa. Calma que eu explico mais adiante, pra quem entende meus “pingos nos jotas”.

Das primeiras impressões agradáveis de Estragaram todos os meus sonhos, o cenário. A Tati e eu temos essa coisa de reparar em cenário, luz, figurino, essa coisa chatinha de quem trabalha com TV, mas que nos traz boas risadas e grandes conclusões quando a gente chega a um denominador comum: parecia, de verdade, DogVille. E a gente achou isso no mesmo momento. Fiquei ansiosa esperando pela luz. Apostei e ganhei! Boa diretor de iluminação que eu não sei o nome!!! Se a peça não fosse boa, já teria valido, mas eu não estava preparada pra tanto agrado que vinha logo adiante.

Toca o primeiro sinal e as borboletas da minha barriga agora já estavam atravessando as camadas e querendo voar pra fora. Sempre fico assim, parece que vou atuar junto. E começa aquela conversa baixinha e respeitosa que a gente tem quando vai ao teatro e já tocou um sinal.

_ Tati, então se o Pedro não atua, quem são os atores? Áh, Renatinha, não sei o nome de todos, mas tem a Vitória Frate e uma menina que chama Carol Portes. Pára tudo! (O acento é pra mostrar o meu choque!)

Que coincidência. Que feliz coincidência. Já tínhamos ido ao mesmo SESC, eu e Tati Guedes tentar ver uma peça com Carol Portes, que eu tenho no meu orkut (ok, é so last week, mas eu tenho). E não conseguimos porque estava lotada. E eu fiquei triste aquele dia porque era a peça de um livro que eu AMEI e de uma atriz indicada pela mesma Tia Fatinha, que também me deu o telefone da Carol – diga-se de passagem para o qual eu nunca liguei, diga-se mais de passagem ainda por falta de oportunidade, não por falta de vontade.

Eu era, de um frame pra outro, a pessoa com mais expectativas daquele teatro. Sem dúvida. E é muito bom quando você sente que não tinha outro lugar no mundo pra estar num determinado momento. É muito bom quando você assite a uma peça que você queria que durasse pra sempre. Que tivesse desdobramentos, que tivesse, talvez, outro final só pra você poder ficar imaginando como seria o texto, como seriam as interpretações, qual trilha ia tocar. Eu voltaria. Acompanharia como se fosse uma boa série de TV (ou de internet, que tá na moda do futuro).

De verdade. Além da trilha adequada, da luz maravilhosa que eu não me canso de elogiar,  um texto agudo, atores bem dirigidos, um diretor calmo na platéia, uma platéia com a pegada da peça e uma estória que tinha muito pra ser normal, ou até ruim, e se fez muito boa pelo conjunto da obra, além de tudo isso, ainda a alegria de ficar com o texto na cabeça. Sabe vontade de descer (teatro de arena) e ter umas falas também? De longe a melhor pedida do domingo, chuvoso ou não.

A melhor pedida pra quem curte coisa simples e boa. A melhor pedida pra quem tá afim de ver o talento do Pedro, da Vitória, da Carol. Orgulho de Volta Redonda eu nunca tive, mas agora tenho. Carol foi uma expectativa mais que superada. Carol foi uma boa surpresa e um novo estímulo pra ir ao teatro sempre que ouvir seu nome no elenco. Carol plays Luana (é, era Luana e eu tive que engolir esse nome com beringela e chuchu e gostar ainda por cima). Fora o nome – com ciúmes a parte – Luana, pra mim, foi a maturidade do texto.

Sabe quando tem um personagem que, mesmo que não seja o mais iluminado do cenário, se torna vão central. Válvula de escape. A personagem é o tom de realidade da coisa toda. Realidade nua e crua e cruel. Realidade talvez tão cruel com Luana quanto a realidade de Luana é cruel. Realidade que incomoda quem tapa os olhos pra realidade. Realidade de quem, como ela mesma diz, tratou de crescer muito rápido. Realidade real.

Sabe quando você assiste Harry Potter antes de ler o livro e, quando lê, não consegue desassociar a imagem do Daniel Hadcliff. Estragaram todos os meus sonhos, seus cães miseráveis vai ficar assim pra mim. Pedro Osório, Alexandre Varella, Vitória Frate e Carol Portes pra sempre terão um quê dos personagems que interpretam. Sorte deles, por que dizem os grandes atores que fazem vilões, que o melhor é sempre ser xingado na rua, porque significa que o personagem tá fazendo efeito.

O texto da Daniela Pereira de Carvalho e a direção do Pedro Neschling também. Tão fazendo efeito. Aprendi no feedback que a gente tem que processar informações. Tão fazendo efeito. Tão fazendo efeito.

The Blind Side

•25 de agosto de 2010 • Deixe um comentário

Lendo Ferdinand

“Se você não está interessado em nada disso, assista mesmo assim. É curioso ver como a Sandra Bullock se comporta quando não está dirigindo ônibus em alta velocidade, criando poções para não se apaixonar, ou beijando o Keanu Reeves.”

Esse é o último parágrafo do texto que minha amiga Tati Guedes escreveu no blog dela – Nariz de Cera – sobre o filme que ela foi assistir desacreditada e eu pela Sandra Bullock. Quer saber mais detalhes do filme pelos olhos dela, acaba de ler o meu post, deixa de preguiça e clica aqui.

Pois bem, The Blind Side eu encontrei assim: queria alugar um bom filme e fui até os lançamentos. Vi a Sandra Bullock loira num frame muito mal tirado do filme e achei bem ruim. Fiquei curiosa e fui lá ver o que era. O filme ainda estava pra ser lançado nos EUA e eu fiquei curiosíssima com a história de como o diretor conseguiu convencê-la de participar do longa. Esperto que só, quando a Miss Simpatia reclinou esta Proposta, John Lee Hancock – também roteirista desse drama –  apresentou-a despretenciosamente à verdadeira Leigh Anne Tuohy. O que a convenceu de primeira.

Ainda bem, pois Sandra Bullock não só surpreende por sair do lugar comum de representar mocinhas de comédias românticas e filmes de ação, como convence e emociona de verdade. Principalmente nas cenas em que ela tem que chorar e segura o choro. É incrível ver a evolução de um pequeno sorriso de canto de boca ao contorcido incômodo de uma lágrima que fica presa. Gosto disso nela. Não é a toa que, além de levar pra casinha o Oscar de melhor atriz, a “Gata Selvagem” de Velocidade Máxima ainda ficou com o Golden Globe Awards 2010 e também com um mais que honroso empate (Olha Isso! oO) com Meryl Streep (por Julie & Julia) no Critic’s Choice Awards 2010.

E lá foi ela para o tapete vermelho

Passada minha euforia a respeito de Sandra, vamos falar do filme. Eu sempre vou com o pé atrás ver filmes “based on a true story”, confesso que fiquei bem satisfeita. O roteiro é muito bom. Os personagens bem explorados pelo diretor e os atores estão muito bem obrigada. Especialmente o garotinho Jae Head, que interpreta SJ, filho do casal Tuohy. O moleque dá um banho de interpretação e garante as melhores risadas. Não vou contar porque se você não viu, tem que ver!

Sem esquecer Quinton Aaron, o Big Mike e a atriz que interpreta a mãe de Michael Oher, Adriane Lenox – você chora só de olhar a sujeita e, a única vez que ela aparece no filme todo, é uma cena que você vai levar na memória (ou incomodando seu estômago) por um bom tempo.

Na hora de assistir, se entregue ao filme. Não fique esperando passar meia hora pra chorar ou rir. Vai perder a emoção. Aproveite bem as pupilas dos atores: é nelas que você reconhece quem se joga e quem não. The Blind Side (que é um título que diz muuuuito mais da trama do que o em português Um sonho possível) é o tipo de filme pra ver no cinema, em casa sozinho, acompanhado. É o tipo de filme que você pode jogar na roda de amigos e ficar por horas relembrando as cenas que mais marcaram cada um. É o tipo de filme bom. Que merece ter indicações ao Oscar e, de fato, levar a tão famigerada estatueta.

Não resisti: comprei o dvd assim que saiu e levei pra prateleira dos preferidos. Orgulho da Sandra Bullock, orgulho do acúmulo de funções de John Lee Hancock, orgulho do júri do Oscar.  Orgulho pricipalmente dos Tuohy. O mundo precisa de gente assim!

Tem coisas que só o amor explica

•17 de agosto de 2010 • 2 Comentários

Tem dias que você acorda meio estranho. Mesmo que a noite tenha sido maravilhosa, aquela sensação esquisita simplesmente insiste em apertar seu peito e você acha que vai ser um dia daqueles. É aí que acontece uma coisa tão simples, mas muito rara. Você se torna instrumento. Como naquela Oração de São Francisco de Assis – “Senhor, fazei de mim um instrumento de Tua Paz.”

Quase ninguém entende o meu jeito de acreditar nas coisas do mundo e dos Céus. Quase ninguém entende o meu jeito de ter Fé. Eu já disse isso num post anterior e é a mais pura verdade. Acontece que hoje eu tive vontade de escrever sobre isso porque aconteceu, mais uma vez, uma demonstração de amor que ninguém (talvez só mesmo Deus) explica.

Sabe quando existe uma linha tênue entre uma lágrima de dor e uma lágrima de alívio? Sabe como é bom poder ser essa linha? Sem demagogia, sem exageros, ser o ombro amigo de alguém é melhor que brigadeiro de panela. Porque não só o dia da pessoa se acalma como o seu dia se ilumina.

Eu acredito na minha Fé. E eu acredito que com Fé a gente pode mudar o mundo. Principalmente nas coisas pequenas do cotidiano. Um sorriso, uma palavra basta. E um rio de amor enche meu coração de felicidade por causa de uns minutinhos do mais declarado amor que eu conheço: a amizade. 

É bom ter amigos. É bom poder ser amigo de alguém. É bom poder transformar o seu próprio dia modorrento só porque você pensou positivo, deu uma força, se concentrou de verdade e pediu com sinceridade a Deus: “por favor, Pai, ajuda meu amigo, ele precisa de Você.”

Esse blog está longe de ser um blog pra falar de Deus (apesar d’Ele estar em tudo). Está a léguas de querer ser moralista ou certinho, ou insistente, ou chato. Está  tão, tão distante de ser pretencioso ao ponto de achar que vai tocar alguém. Mas tem dias que é muito bom saber que tem coisas que só o amor explica.

Perto Longe

•13 de agosto de 2010 • Deixe um comentário

Ana Carolina, 12 - ago – 2010, Citibank Hall – Show

Pois é, há quem goste, há quem não goste, há quem ame, há quem odeie. Confesso que me surpreendi ontem com o público do primeiro show, digamos decente, que eu fui da Ana. Gente de todas as tribos.

Do Oiapoque ao Chuí

 Da minha, da sua, da sua irmã mais nova, da prima que você não fala, gente até da turma da sua avó, pode acreditar! Decente porque da outra vez tinha sido em um parque de exposições, nada confortável e, sabe como é, né? Eu sou dessas que gosta de ver show sentadinha pra curtir o evento, conseguir prestar atenção nos músicos, na luz, nas cortinas.

Esperava uma coisa diferente. Acho que esperava algo melhor. Não do show, não das músicas, não dos convidados – que estavam na mais perfeita ordem. Esperava um pouco mais da Ana Carolina. Não, ela não foi grossa. Não, ela não xingou a platéia nem fez nada que pudesse diminuir o valor dela como cantora, como instrumentista, como compositora, enfim, como artista. Eu só esperava uma Ana anterior. Uma Ana um pouco mais, err, contida. Não sei se essa é a palavra certa, mas foi a que eu encontrei.

Não vou viver como alguém que espera um novo amor

A Ana de antes era uma coisa mais parecida com a Bethânia. Tímida, com uma voz divina, interpretações incríveis e um jeitinho mineiro inconfundível. O Rio de Janeiro fez bem pra maquiagem da Ana, fez bem pros shows da Ana, fez um bem danado pro cabelo da Ana. Só que a Ana ficou carioca demaix. Dimaiz da conta, como diriam meus Juiz  Foranos queridos.

Depois e antes

Não, eu não deixei de gostar MUITO da Ana como compositora – que me fez descobrir o Totonho Villeroy; nem muito menos da Ana cantora -que é capaz de cantar com Chico Buarque, Maria Bethânia, João Bosco, Roberta Sá, Maria Gadú, Martinália, Gilberto Gil, Ângela Ro Ro e Chico César com a mesmíssima incrível categoria; ainda não desgostei da Ana artista – que divulga Elisa Lucinda, pinta quadros e lê T.S. Elliot. Mas prefiro a Ana de antes.

Esse texto não é uma crítica, não é um ataque, nem muito menos um surto de raiva. É uma sensação ruim de estranheza. Parece que a Ana quer ser muito mais ANA do que ana. Eu gosto da Ana - assim, com curvas sutis e não com retas imponentes. Eu gosto de uma Ana que sempre cantou o que queria e o que sentia. Eu gosto da Ana de Juiz de Fora, mesmo porque ela sempre pertenceu ao Rio e não tinha deixado as minas pra trás nem quando ia a Sampa.

Eu ainda gosto da Ana. Eu ainda gosto MUITO da Ana. Eu vou continuar gostando da Ana. E é por isso que me sinto no direito de dizer que quando cheguei tão perto dela, me senti muito, muito longe.

Pão Quentinho

•11 de agosto de 2010 • 1 Comentário

Eu sou assim, ó: bem uma poesia da Cecília Meireles. E tenho gosto por ter em mim esse lirismo, que se assemelha com a ortografia de lírios, que são minhas flores favoritas, se alguém aí quiser saber. E se quer saber mesmo, o Chico Buarque é meu eu lírico. Bem mesmo o meu interlocutor preferido, mas eu gosto mesmo é das interpretações da Bethânia.

eu que não sei quase nada do mar

O Mário Quintana me encanta e as minhas fábulas favoritas têm sempre um sítio de uma ave amarela (como um sorriso) como cenário de fundo (até quando se passa no Reino das Águas Claras).

Amo textos escritos pra crianças, principalmente aqueles escritos pra crianças já adultas (porque adulto criança é o contrário, totalmente oposto). Maria Clara Machado, Barrie, Ruth Rocha, Bandeira, Carrol, Antonie e Ziraldo sempre me encheram de alegrias, ou de tristezas, mas sempre me tocaram. Não me julguem pelo fato de que eu gosto de ler livros repetidos, cada vez aprendo uma coisa nova. Não me julguem porque eu gosto da Xuxa, não acho ela boa cantora, nem a melhor apresentadora, nem acho que ela tenha nada que a faça incrível ou aceitável, mas eu gosto dela.

Gosto e não tenho vergonha de gostar. Aliás, não tenho vergonha de nada do que eu sinto. Gosto da Xuxa, do Chico Buarque, da Oprah, do Francis Hime, do Yamandú Costa, do Jamiroquai, do Cartola.

Não venha me falar que eu não conheço coisas de boa qualidade. Mais ainda, não venha me dizer que eu não posso gostar do que os outros não gostam. Eu gosto do que e de quem eu quiser e ninguém sabe a dor e a delícia de ser eu.

Eu gosto de beleza. Gosto dos sentimentos leves. Gosto de todos os meus amores. E eles são muitos. Entre todas as outras coisas eu gosto do meus amores mais do que de todas as outras coisas, mas também gosto do novo, gosto da mudança, gosto de aprender, gosto muito de descobrir. Gosto da sensação de gostar. Mais ainda gosto da sensação de amar. Diria que eu amo. Eu amo amar. Amo ser assim, meio besta quando falo de deus e da minha Fé. Ninguém acredita na minha forma de acreditar, mas eu sei que pra mim ela vale. O meu jeito de ser crente é o que mais me liga aos meus Deuses, ao meu Deus, às minhas energias e às forças da natureza.

Gosto de gente, mas gosto mais de gostar de gente legal do que de gente chata, apesar de amar algumas gentes chatas também. Amo acertar, não gosto muito de errar, mas gosto do teaching, essa sensação de troca, de equilíbrio, de continuidade.

Sabe a idéia de ter uma mala, sair viajando e colocando na mala tudo que você pode alcançar e, depois, quando chega em casa, você olha toda aquela bagagem e pensa: “Quanta coisa inútil, vou arrumar essa joça!”  E quando arruma, não consegue jogar fora quase nada, mas organiza de forma que cabe tudo direitinho e você pode levar pros próximos destinos um monte de coisas que vão pesar na mala, mas que sem elas, você não vai ficar segura e confortável. Então você leva tudo. Compra uma mala maior. Coloca no hd externo. Zipa. Compacta e guarda tudo no chip ou no pen drive. Gosto, AMO viajar.

E viagem pode ser um passeio de barco, de avião, de hipogrifo. Não me julgem por gostar de Harry Potter. Eu tenho pra mim que o melhor jeito de provar qualquer coisa pra qualquer um é não provando nada pra ninguém. Eu gosto do Harry e da Hermione. Gosto da Sandy e do Junior. Gosto do Cazuza, do Ney Matogrosso, da Cássia Eller. Gosto da Rita Lee, da Paula Toller e da Adriana Calcanhotto. Gosto do Renato em Russo, em português, italiano ou na língua dos anjos.

Eu gosto da língua dos anjos. Eu gosto particularmente dos anjos (esses seres são mesmo indizíveis). Eu gosto de acreditar nas coisas e nas pessoas. Acredito em fadas e duendes, e fico muito cansada com quem não tem ou não usa a própria imaginação. Não, eu não gosto de entorpecentes e nunca vi duendes, mas não deixo de acreditar. Não tenho a pretensão de ser uma escolhida pra ver as coisas. Acredito que as coisas mais belas são invísíveis. Não acho que é verdade essa coisa de ver pra crer. Ninguém vê o amor e ninguém vive sem ele. Acho uma bobagem tremenda esses dizeres de caminhão que as pessoas cismam em dizer que encontraram nos salmos.

Eu acredito nos salmos. Mas acredito mais ainda na minha capacidade individual de interpretá-los da maneira que eu acho justa e lógica. Não acredito nas máximas do “diga-me com quem andas” (história de bisbilhoteiro) ou do “Quem pariu Matheus” ou essas outras máximas que as pessoas cismam em não “digievoluir”. Não, eu não assisto Pokémon. Eu acredito na evolução do ser humano. Eu acredito no amor fraterno. Eu acredito na caridade. Eu não fico gritando isso aos quatro ventos. Não sou testemunha de coisa alguma. Sou apenas testemunha dos meus próprios valores. Sou testemunha sensorial dos meus princípios. Não tento convencer ninguém dos meus gostos peculiares. Não entro em discussões religiosas (mas o Flamengo é o melhor time do mundo).

Não quero que as pessoas entendam o que eu digo, nem muito menos o que eu sinto. Eu entendo que eu sou difícil, complicada e perfeitinha. Eu gosto de algumas pessoas que não me entendem. Eu gosto de algumas pessoas que nem me conhecem. Eu não gosto de julgar ninguém (apesar de ser humana e fazer isso algumas vezes). Eu não culpo ninguém por julgar o outro. Mas culpo por fazer sofrer dolosamente.

Eu não gosto de sofrer, mas é quando eu escrevo melhor. Eu não gosto de sentir saudade, mas é quando eu tenho as melhores lembranças. Eu não gosto de mentira, e não tem nada de bom que possa vir daí. Eu gosto de respeito, e não tem nada no mundo que derive do respeito que seja ruim.

Eu gosto de blusas amarelas. Gosto de casacos de moletom brancos. Cachecóis pretos. Brincos prateados. Sapatos roxos envernizados. Botas cor de caramelo. Sandálias verdes. Xuquinhas de cabelo azul-bebê. E nem por isso saio por aí como um pavão. E na sexta-feira eu uso branco. E todos os dias da semana visto minha capa violeta antes de sair de casa.

Eu gosto de brincar de pique-alto, gosto de ver filme sozinha, gosto de dormir bem acompanhada. Gosto imensamente de cheiros. Mais do que de gostos, mas também gosto de sentir meu paladar aguçado. Gosto de brigadeiro, gosto de fazer brigadeiro e do cheirinho que fica na casa. Gosto de comer no pratinho o brigadeiro de panela, mas gosto mais da raspinha que fica grudada no teflon.

Eu não tenho um livro preferido, nem um filme. Já li muitos, já assisti um tanto. Sempre acho que o melhor livro e o melhor filme estão por vir. Eu não tenho uma música preferida, nem uma poesia. Mas essas, com certeza, já estão escritas e eu provavelmente já ouvi. Só ainda não morri pra saber qual foi realmente a melhor, a que mais me tocou, a que mais me marcou. Quando eu morrer dessa vez, prometo que volto pra contar!

Eu gosto das coisas que valem a pena. Eu gosto de me empenhar em fazer algo valer a pena. Eu gosto de cultivar. Acho essa uma palavra de grande sabedoria por si só. Cultivar. Pensa aí em tudo que é preciso pra se cultivar alguma coisa. Você precisa de cuidado, de carinho, de dedicação, de entrega, de disciplina. É, por mais maluquete e hippie que eu pareça, eu sou bem mais certinha e careta do que os seus pais. Os meus ídolos ainda são os mesmos, mas os motivos pelos quais eles o são, são outros, completamente diferentes.

Eu não vivo como os meus pais, e seria uma retrógrada se assim vivesse. Meus pais não vivem como eu, e não seriam meus pais se fossem tão vanguardistas assim. As coisas são como são, imutáveis, até que… mudam. Eu gosto do movimento. Normalmente não tenho medo de cair e nem de olhar pra baixo. Já tive medo de mim mesma. Hoje eu não tenho mais. Não tenho medo da maldade das pessoas, tenho pena. E acho que a pena é o pior sentimento do mundo, por isso não gosto de sentir pena, apesar de sentir, às vezes. Detesto ter que ser alguma coisa específica. Esse verbo “obrigativo” é um verdadeiro pé no saco.

E eu acho, que mesmo que eu não goste de obrigações e prefira fazer coisas de livre e espontânea vontade, não conseguiria viver em Cuba. Não gosto muito das coisas que terminam com “ista” – feminista, socialista, capitalista, extremista, passifista, stalinista, facista. Nada que cultive uma coisa só me agrada. Nada que siga apenas uma linha de pensamento e renegue as outras me agrada. Nada que simplifique demais, resuma demais ou idealize demais as coisas me agrada. Nada que seja extremo me agrada. Nem amor.

Amor tem que ser crescente. Tem que ter espaço pra crescer, mas nunca chegar lá. Tem que ter sempre a disciplina de ser ainda cultivável. Amor tem que ser instável dentro da sua estabilidade e segurança. Amor tem que trazer felicidade, conforto. Amor tem que ser um turbilhão intenso nos limites de sua própria calmaria afetuosa e singela. Amor tem que ser limítrofe. Amor tem que andar na tênue linha que separa os mortais dos espíritos de luz. Amor tem que ser igual a pão quentinho. Essa sou eu. E se você quiser me resumir, apesar de eu não gostar de sínteses, pode dizer assim: Essa daí gosta de pão quentinho.

 
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